Amanha teremos o nosso inédito 3º turno nas eleições municipais da nossa boa e velha (não tão velha quanto boa) Londrina. Sem entrar no mérito da questão de qual candidato tem as melhores propostas, quem é ficha suja ou menos suja, quero colocar em discussão hoje nossa justiça: até que ponto ela é justa, tomando como base esse caso?

 

A decisão do Supremo Tribunal Federal para impugnar a candidatura de Antonio Belinati (PP)* foi baseada no fato de sua prestação de contas, da época em que fora prefeito, não ter sido aceita pelo Tribunal de Contas do Paraná. Devido a isso, o STF, órgão máximo da justiça nacional, decidiu cancelar a chapa do ex-prefeito. Entretanto, Belinati já havia vencido o segundo turno disputado contra o deputado Luis Carlos Hauly (PSDB), criando, assim, uma situação inédita, sem precedente algum na historia da justiça brasileira. A partir disto, foi designado um novo 2º turno, chamado, “carinhosamente”, pelo povo londrinense de 3º turno, com o 2º colocado (Hauly) e o 3º colocado no 1º turno, o também deputado Barbosa Neto (PDT) que, em uma jogada política arriscada, mas bem arquitetada, apoiou Belinati no 2º turno, indo contra princípios de seu partido e até traindo alguns eleitores. No entanto, Barbosa tinha conhecimento do processo que tramitava no supremo e que poderia cassar a candidatura de Belinati.

 

O Supremo tomou a pior decisão possível, por diversos aspectos. Ora, penso sobre esse caso que, se a candidatura de Antonio Belinati estava indevidamente registrada, estava, digamos, “errada”, ela não apenas estava no segundo turno, mas sim desde o primeiro. Então, não é muita ingenuidade de minha parte concluir que a eleição deveria voltar ao seu inicio, dando, assim, a chance de todos os outros candidatos concorrerem de novo, menos Antonio Belinati.

 

Todavia, acredito que essa é uma posição por demais radical. Se já estamos tendo uma grande dificuldade com esse novo pleito e um desarranjo na rotina de nossa cidade, imagina então se voltasse tudo à estaca zero…

 

Bom, o supremo poderia também ser mais proporcional e, ao invés de causar  esse conflito e gastar mais dinheiro dos cofres públicos (não se enganem, uma eleição gasta dinheiro sim, NOSSO dinheiro) poderia basear-se em outro caso muito parecido e dar a mesma sentença, diplomando, assim, o segundo colocado, como foi feito no estado do Maranhão**.

 

Pois bem, tudo isso apenas aconteceu, meus amigos, por conta da lentidão de nossa justiça. Belinati ganhou no domingo e logo na terça foi cancelada a eleição. Ora, será que o processo, será que toda a burocracia da maquina estatal brasileira não se mostrou um tanto antidemocrática, passando por cima da vontade popular, fazendo balela da soberania do povo adquirida ao longo de anos de lutas sociais? Acredito que um caso de tão importância deveria ser ao menos julgado antes que as pessoas fossem as urnas votar no 2º turno. Isso criou uma indignação e uma verdadeira “luta de classes” em nossa cidade. Não estou aqui defendendo candidato, partido ou ideologia alguma. Apenas estou defendendo o que, a meu ver, é o mais justo e mais consoante com os parâmetros e princípios da justiça nacional.

 

Amigos, amanhã (29/03), no nosso “querido” 3º turno, vamos às urnas votar sem saber se, novamente, essa eleição terá legitimidade, se será valida, tendo em vista que Antonio Belinati está com um recurso ainda não julgado pelo STF para poder assumir a prefeitura, por ter sido o prefeito eleito. Esse caso não termina nesse domingo, teremos outros capítulos dessa peleja jurídica. Acompanhemos…

 

* http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL840753-5601,00-TSE+ANULA+VITORIA+DE+ANTONIO+BELINATI+EM+LONDRINA.html

** http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1007625-5601,00-JOSE+MARANHAO+E+DIPLOMADO+GOVERNADOR+DA+PB+E+TOMA+POSSE+NESTA+QUARTA.html

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Saudade

Março 21, 2009

“Saudades, só portugueses
Conseguem senti-las bem
Porque têm essa palavra
Para dizer que as tem”
Fernando Pessoa

 

Após um longo tempo sem escrever aqui (confesso que já estava sentindo falta), voltamos agora a colocar algumas palavras. Começamos 2009 com um fragmento de Fernando Pessoa que tem muito a ver com esse tempo sem escrever.

 

Em uma livraria no centro do Rio de Janeiro foi feito um concurso para eleger a palavra mais bonita da língua portuguesa. Na primeira etapa foram sugeridas mais de 400 palavras para constarem na lista de votação. Após 3500 votos, colocados em uma urna dentro da livraria, a palavra SAUDADE foi eleita com maioria esmagadora.

 

Acredito que o resultado assim se deu por conta de sabermos que a saudade que sentimos não é sentida em nenhum outro lugar do mundo. A saudade dos norte americanos (“I miss you”) passa longe do verdadeiro sentimento que possui a nossa. Apenas nós sabemos o que é senti-la. SAUDADE não tem tradução, tanto do português pra qualquer outra língua quanto do nosso coração para nossa vida concreta.

 

Só sente saudade aquele que ama, ou aquele que, em algum instante da vida, pôde vivenciar esse sentimento. Porque saudade pressupõe bons momentos, alegria, vontade de voltar no tempo e reviver aquilo que passou, sentimentos esses que o amor está cheio. Quando se ama o que se faz, natural e nostalgicamente (com a permissão do neologismo), sentimos vontade de retornar e aproveitar de novo. Sentimos saudades de pessoas, de uma boa comida, saudade de um lugar onde nos sentimos em paz, de uma etapa de nossa vida. Enfim, sentimos saudades daquilo do que realmente valeu a pena, que realmente amamos, a ponto desse amor deixar resquícios indeléveis em nossa memória.

 

Como materializá-la? Como transferir do nosso interior um sentimento que mal conseguimos explicar o porquê, o como e o quanto sentimos? Não existem maneiras de traduzir em nossas vidas exteriores o sentido que a saudade assume dentro de nossos corações. Saudade dói, muitas vezes aperta, machuca, derruba. No entanto, meus caros, permitam-se sentir saudades porque só assim saberão o que valeu a pena, o que de fato foi importante e que vocês amaram.

 

Que tenhamos um ótimo 2009 (atrasado, não?!), repleto de bons momentos que nos tragam saudades, pois a medida da saudade que sentimos é a medido do amor que tivemos.